AGITRA MANIFESTA ALÍVIO COM PRISÃO DE MÂNICA, MAS AGUARDA POR JUSTIÇA PLENA NO CASO DE UNAÍ

A Associação Gaúcha dos Auditores-Fiscais do Trabalho (AGITRA) está aliviada com a prisão de Norberto Mânica, ocorrida no último dia 15 de janeiro em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. Condenado a 64 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha, Mânica é apontado como um dos mandantes da Chacina de Unaí, crime que chocou o Brasil em 28 de janeiro de 2004, quando três Auditores-Fiscais do Trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho foram brutalmente assassinados enquanto apuravam denúncias de trabalho análogo à escravidão na zona rural de Unaí, Minas Gerais.

Apesar do avanço representado pela captura de Mânica, a AGITRA ressalta que ainda espera que a justiça plena e inequívoca seja aplicada, não apenas ao fazendeiro condenado, mas a todos os envolvidos no terrível episódio que completará 21 anos nos próximos dias.

Segundo a Polícia Civil, Norberto Mânica estava escondido em uma área rural no interior de Nova Petrópolis, próximo à divisa com Gramado, onde tentava evitar a prisão. Ao ser localizado pelos agentes, o condenado ainda tentou ocultar sua identidade fornecendo um nome falso, mas acabou sendo identificado e detido.

A Chacina de Unaí marcou profundamente a história da fiscalização trabalhista no Brasil. Na ocasião, os auditores Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva, junto com o motorista Ailton Pereira de Oliveira, foram brutalmente assassinados em uma emboscada enquanto realizavam uma operação de fiscalização contra denúncias de condições de trabalho análogo à escravidão.

Os irmãos Antério e Norberto Mânica, fazendeiros da região, foram apontados como os mandantes dos assassinatos, tendo encomendado as mortes por motivos torpes e mediante recompensa em dinheiro. A condenação pelos crimes de quádruplo homicídio triplamente qualificado foi um marco, mas o longo histórico de fugas e recursos judiciais por parte de Norberto frustrou a aplicação efetiva da pena até agora.

A AGITRA reafirma sua solidariedade às famílias das vítimas e sua luta contínua por um Brasil onde a fiscalização das condições de trabalho possa ser feita com segurança e respeito aos direitos humanos. A entidade também enfatiza que este crime hediondo exige que todos os responsáveis sejam punidos, garantindo que a justiça sirva como exemplo e dissuasão contra violações futuras.

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